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Guias Práticos15 de junho de 2026· 9 min de leitura

Trabalhador independente e queres comprar casa - o banco vai dizer sim?

Trabalhas por conta própria e queres comprar casa? Os bancos pedem mais documentação mas aprovam. Explicamos o que precisas e como preparar o dossier.

Se trabalhas por conta própria, seja como freelancer, empresário em nome individual, sócio-gerente ou a recibos verdes, provavelmente já ouviste alguma versão desta frase: "os bancos não gostam de independentes." Não é bem assim. Os bancos gostam de dinheiro — e de clientes que o devolvam com regularidade. Com o dossier certo e a preparação certa, trabalhadores independentes conseguem crédito habitação todos os dias em Portugal.

O banco trata-te diferente mas não necessariamente pior

Quando és trabalhador independente, o banco vai mais fundo na análise: olha para vários anos de rendimento; analisa a consistência e a trajectória; avalia o sector de actividade; pode pedir mais documentação. Isto não significa recusa automática — significa análise mais cuidadosa.

O que os bancos olham no teu perfil

  • Antiguidade da actividade — a maioria dos bancos exige pelo menos 2 anos antes de considerar o pedido.
  • Consistência dos rendimentos — regularidade conta tanto quanto o valor absoluto.
  • Rácio de esforço (DSTI) — desde agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda um limite de 45% do rendimento líquido, com uma margem reduzida de exceções por instituição. Fonte: bportugal.pt/comunicado/banco-de-portugal-reve-recomendacao-macroprudencial-aplicavel-aos-novos-contratos-de
  • Historial de crédito — incidentes de crédito ou dívidas fiscais têm peso redobrado.

Os documentos que vais precisar

  • Cartão de cidadão e NIF.
  • Declaração de início de actividade nas Finanças.
  • Declarações de IRS dos últimos 2 a 3 anos (modelo 3, anexos B ou C).
  • Notas de liquidação do IRS dos mesmos anos.
  • Recibos electrónicos emitidos nos últimos 6 a 12 meses.
  • Extractos bancários dos últimos 3 a 6 meses de todas as contas.
  • Se tiveres empresa: IES dos últimos 2 anos, balanço e demonstração de resultados, declaração do contabilista.

Como o banco calcula o teu rendimento

O banco não usa o teu rendimento bruto — usa uma versão ajustada. A fórmula mais comum: média dos rendimentos líquidos dos últimos 2 anos, com possível desconto de 20-30%. Exemplo: rendimento líquido de 28.000 € + 32.000 € = média de 30.000 €/ano = 2.500 €/mês. Com desconto de 20%: rendimento considerado = 2.000 €/mês. É este valor que o banco usa para calcular o rácio de esforço.

O que podes fazer para melhorar o perfil

  • Declara tudo no IRS — rendimentos não declarados não existem para o banco.
  • Mantém os rendimentos consistentes nos anos anteriores ao pedido.
  • Salda outros créditos — automóvel, pessoal, cartões.
  • Aumenta a entrada — 30-35% em vez de 20% pode ser o factor que transforma uma recusa numa aprovação.
  • Evita mudanças de actividade recentes — os bancos preferem estabilidade.
⚠️Cada banco tem a sua própria metodologia para trabalhadores independentes. Vale a pena pedir simulações a pelo menos 3 bancos — ou usar um mediador de crédito que conheça os critérios internos de cada um.
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